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Ao meu eu. . .


Ei, lembra-se de mim? Escrevo essas mal traçadas porque tens me feito chorar.
Chorar? Logo eu que não me permito essa ousadia? Sim, há confusões em mim que somente são traduzidas dessa maneira.
Não desejo que tenhas pena ou qualquer outro sentimento que me inferiorize. Chorar não é para os fracos, sabe? É para os corajosos.
É preciso ter coragem para, mesmo que sozinho, confessar que não está tudo certo. Realmente, não está. Penso que o que fira seja mesmo tentar descobrir o que deixou de ser. Resolvi vivenciar, não por meus méritos, a anormalidade. Essa mesmo de ser só. Peço a ti que não me leias com olhos de criança ao ver o sorvete ao chão. Seria deprimente.
Sabe, querido, percebes que tudo está mudando? Não se trata mais de um mesmo eu. Creio que nem você se reconheça. Recorda-se daqueles amigos? Recorda-se daquelas vaidades? Acabou.
Quiçá isso justifique minhas lágrimas e justificarão as suas.
Você ainda não sabe – ou não quer deixar transparecer, mas existe a vontade de voltar a ser. A ser mesmo. Sem preocupações.
Lembra-se das tentativas de ser forte o suficiente para ser independente? Essas já se foram junto com as lágrimas. A única pretensão agora é somente ser. A independência? Que importa? Na verdade, nunca soube o que fazer com ela.
Sabes o que fazer com a liberdade? Acho que poucos sabem. Espanta-me a tamanha vontade de tê-la.
Quando conseguires ler essa que vos escrevo, tenha a bondade de entender-me como alguém que ainda pouco o conhece. Ou que, na verdade, pouco se conhece.
Não tenho a pretensão de ser poeta. Nessa, apenas deixo voar um sentimento que me assombra.


Com amor, você.

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