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Carta para Carolina


Vou te contar: Se existe um lugar onde pode se refugiar em segurança, esse lugar é na verdade. Não negue seus afetos, suas alegrias, suas vitórias e desejos, mas principalmente, não negue sua dor. A gente só sai da tristeza quando se permite vivenciá-la. Pode ser que um dia você sinta que seus olhos enxergam melhor quando estão úmidos. Isso acontece porque a lágrima lubrifica a visão, enquanto a tristeza nos reconecta ao que de mais verdadeiro existe em nós. Então chore, chore, e não disfarce seu abandono, sua decepção, raiva e frustração. Mas depois dance, dance, dance... pois a dor também tem o seu feitiço, Carolina.

 Aproveite a viagem sem tentar entender cada passo. Nem tudo tem explicação lógica e a vida, na maioria das vezes, é injusta mesmo, mas quem somos nós para julgar aquilo que é realmente justo? Então não fiquei olhando pro lado e tomando conta do que não lhe pertence. Ame o que lhe cabe, e tolere as demoras, os percalços e falhas. Não exija demais de si mesma nem dos outros. Esqueça um pouco o relógio e se perdoe quando preferir dormir um pouquinho mais no domingo. Você não é a mulher de lata e muito menos de ferro!

 Acima de tudo, seja autêntica. Não endureça com medo de ter sua sensibilidade revelada nem se alegre demasiadamente para que não lhe percebam as lágrimas. Seja autêntica nos desejos, no descontentamento, na necessidade de ficar sozinha ou dizer "não". Não se desdobre pra agradar todo mundo, isso é muito cansativo, desastroso e não lhe ensina o respeito por si mesma.

 Por fim, mais uma palavra de bolso: Tenha coragem de amar e ser amada. Mas não se surpreenda quando o amor lhe parecer imperfeito, cheio de nós, pontas e contradições. Nenhum amor é igual ao outro, e tentar algum modelo é desconstruir a liberdade de ser quem você é.

 Por isso, não tenha medo de romper a fronteira daquilo que lhe parece seguro. Siga pela estrada de tijolos amarelos e quem sabe, além do arco-íris, encontre a si mesma mais amadurecida e feliz, Carolina.

Um comentário:

  1. Resumidamente não devemos negar quem somos, nossa identidade.
    Texto reflexivo! Adorei.

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