Sugestão: Leia ouvindo:" Encontros e Despedidas" – Milton Nascimento & Lô Borges
A gente sente.Sente quando a presença vira detalhe, quando o olhar já não carrega o mesmo afeto. Há silêncios que não são pausas — são despedidas disfarçadas. Um jeito sutil de dizer que já não se pertence mais ali.
Em algum momento, eu sei que você tentou.
Tentou preencher os vazios, colar os pedaços, manter firme o que, no fundo, já queria escapar. Mas chega a hora em que a gente entende: ninguém some sem motivo. Ninguém se afasta por acaso. E quem ainda faz questão, não silencia.
O silêncio, às vezes, é um aviso.
É um afastamento que vem devagar, nas respostas curtas, no olhar ausente, na distração que antes não existia. É o interesse que esfria sem explicação, é o tempo que demora para responder, o riso que já não vem fácil, a presença que, mesmo perto, parece longe.
Tem silêncios que gritam o que a gente tenta não escutar:
que algo mudou,
que o fim começou,
que alguém está partindo — ainda que fique.
E dói.
Dói porque a gente tenta segurar, tenta remendar com palavras, gestos, insistências. Mas é preciso aceitar: amor que precisa ser mendigado não é amor recíproco. Presença que precisa ser cobrada não é companhia.

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