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Aqueles Olhos



Ela tentou, de todas as formas, não se envolver. Mas como é que se nega um sorriso à aqueles olhos?
- "Ô seu moço, não me olha desse jeito bonito não. As pernas bambeiam sempre que você me encara desse jeito, meio apaixonado, meio com sede, meio com fome, meio querendo mais. É que também quero demais, entende? Então faz favô, seu moço, não me olha desse jeito bonito, desse jeito de pulsar esperança boba e de suspirar tresloucada por qualquer canto. Pode não, seu moço.."
O rapaz olhou-a com sede e ela sorriu. O infeliz sorriu de volta e, pronto, já era amor. Ele chegou despreocupado, passando a mão em seu queixo. Soltou um discurso ensaiado e tosco, porém bonitinho. Ele era todo bonitinho, eis uma verdade. Ela entregou-se, sem querer. Queria esquecer as dores antigas e para isso, pensou, era preciso abrir feridas novas.
E após a rendição, aos poucos, sem que ela percebesse, as noites incríveis passaram a suceder dias intermináveis de um silêncio, quebrado por desculpas esfarrapadas, e bocas desencontradas. - "Você é muito pessimista" ele dizia.
Quando ela girou a maçaneta do apartamento dele de surpresa, seu conto de fadas foi arremessado ao chão, assim como as coisas que estavam sobre a mesa. Não podia acreditar no que os olhos viam
O chão abriu sob seus pés e ela sentiu-se cair. Começou a gritar, ensandecida. O moço, olhava-a com descaso e com divertimento contido. Pulsava riso em sua íris de terra, aumentando ainda mais a raiva que ela sentia. Chovia torrencialmente em seu rosto e a as palavras jorravam sem dó. "Seu idiota" ela repetia. "Como você fez isso comigo? Eu estava praticamente te amando e você me trai desse jeito?"

Ele continuava cínico e cético. Olhava- a com carinho, mas fazia pouco caso. Num dar de ombros, ele esmagou o coração dela por completo.

— "Sinto muito, pequena. Não tínhamos nada sério. E nunca te prometi fidelidade..."

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